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ALBA celebra centenário de Mestre Didi com Sessão Especial

27 de outubro de 2017
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Uma proposição da deputada Fabíola Mansur (PSB), a Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) realiza no dia 6 de novembro, Sessão Especial em homenagem ao centenário de Deoscóredes Maximiliano dos Santos, mais conhecido como Mestre Didi. O evento acontece às 9h30, no Plenário da Casa.

Filho de Maria Bibiana do Espírito Santo (a Mãe Senhora do Ilê Axé Opô Afonjá) e Arsênio dos Santos, Deoscóredes Maximiliano dos Santos nasceu em Salvador, em 2 de dezembro de 1917. Mais conhecido como Mestre Didi, foi sacerdote, escultor e escritor, com grandes contribuições nas três faces de sua vida religiosa e intelectual. Com exposições no Brasil e no exterior, ganhou diversos prêmios e foi um dos mais importantes sacerdotes do culto aos egunguns no mundo. Mestre Didi morreu em 6 de outubro de 2013 e deixou como viúva a antropóloga Juana Elbein dos Santos.

“Mestre Didi construiu uma relação estreita com o continente africano, principalmente com o reino Ketu. Recebeu o título de Alapini, o mais alto do culto aos egunguns, e fundou em 1980 o Ilê Asipá, ainda em atividade. Em uma das suas visitas à África, ele teve o reconhecimento de Alaketu, Rei do Ketu, sendo convidado como membro da família e não como um mero visitante. Sua iniciação sacerdotal se deu aos 7 anos. De presença mítica na Bahia, tornou-se o Sumo Sacerdote Alapini – Ipekun Oye, a mais alta hierarquia no culto aos ancestrais na tradição Iorubá”, informa Fabíola.

Memória – Aos 55 anos de idade, Mestre Didi fundou o candomblé de culto aos ancestrais Ilê Asipá, situado em uma das transversais da Rua Orlando Gomes, em Salvador. Os Asipás, caçadores ligados a Oxóssi, transmitem a ideia de segurança. Não por acaso, as obras do Mestre Didi assimilam signos do candomblé e têm relação direita com os orixás e os elementos da natureza.

“Mestre Didi sempre foi um homem voltado para a cultura e a vida afro-brasileira, desde os muitos livros que publicou sobre o culto dos ancestrais, no qual tinha o honroso cargo de Alapini. Foi um artista escultor de lindas obras, cuja temática falava desse extraordinário universo das coisas da África mítica, onde os deuses estão na terra, e por isso suas esculturas eram totêmicas, saíam do chão para alcançar o infinito”, escreveu o artista e diretor-curador do Museu Afro Brasil, Emanoel Araújo, no texto de despedida “Um Adeus ao Alapini”. As obras de Didi têm destaque no acervo permanente do Museu Afro Brasil, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.

Na justificativa do projeto para comemorar o centenário de Mestre Didi na ALBA, Fabíola Mansur escreveu sobre a grandiosa contribuição de Mestre Didi às artes no país, sua vigorosa obra escultórica e completou: Seu primeiro livro, “Yorubá tal Qual se Fala”, foi lançado em 1946. Mestre Didi possui livros editados em português, espanhol, inglês, francês e yorubá. Sua obra literária está reunida em volumes como “Contos Negros da Bahia” (1961) e “Contos de Nagô” (1963), da editora G.R.D., dentre outros. Com várias premiações, suas obras são disputadas por galerias de arte e avalizadas por nomes como Jorge Amado e Emanoel Araújo. Em 1989, as esculturas de Mestre Didi se destacaram na célebre exposição Magiciens de la Terre, no Centro Georges Pompidou, em Paris, um momento decisivo para o reconhecimento internacional de seu trabalho. Com o tempo, passou a ser estudado por historiadores, linguistas e críticos de arte e de literatura”.

“Por sua vida e pela preservação da memória afro-brasileira e aos cultos de matriz africana, Mestre Didi merece todas as homenagens da Bahia e da nossa Assembleia Legislativa pela passagem do seu centenário de nascimento”, disse a parlamentar.

O Que: Sessão Especial em homenagem ao centenário de Mestre Didi
Quando: Dia 6 de novembro
Horário: 9h30
Onde: Plenário da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA)

Tags: deputada Fabíola Mansur (PSB)homenagem ao centenário de Mestre DidiSessão Especial
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